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8 coisas no seu armário que deve deitar fora já, segundo estilistas

Pessoa organiza roupas numa cama, com caixa de doação ao lado com sapatos, casaco e calças.

Sabes aquele pequeno arrepio que sentes quando deslizas a porta do roupeiro e imaginas que pode estar à tua espera, lá no fundo, um conjunto escondido capaz de mudar a tua vida?

Depois puxas a mesma camisola desbotada que tens desde o secundário e, de repente, esse arrepio evapora-se. Os nossos armários são como pequenos museus de versões passadas de nós: as calças de ganga “um dia volto a ser essa pessoa”, o vestido de uma festa que preferias esquecer, o blazer que compraste porque o TikTok disse que devias. Dizemos a nós próprios que vão voltar a entrar em rotação. Na maioria das vezes, não voltam.

Há um peso silencioso em ter roupa que nunca usas. Sentes isso todas as manhãs quando ficas em frente a um varão cheio de opções e, ainda assim, pensas, ligeiramente em pânico: “Não tenho nada para vestir.” Os stylists dizem que isto não é sobre deitar dinheiro fora; é sobre recuperares a tua vida da confusão. E há coisas que, de facto, têm de ir embora - a começar já.

1. As calças de ganga “aspiracionais” que te enterram nas costelas

Algures no teu roupeiro, há um par de calças de ganga que só serve num dia muito específico de um ano muito específico. Sabes quais são: tens de te deitar na cama para as conseguires apertar e, depois, não consegues sentar-te sem planeares a respiração como numa aula de ioga. Os stylists dizem que estas calças não te inspiram a ser “disciplinada”; apenas sussurram que quem tu és hoje não é bem suficiente. Isso não é motivação. É um castigo subtil.

Todos já passámos por aquele momento em frente ao espelho, aos saltinhos, enquanto o fecho se recusa a subir, e prometemos a nós próprios que “até ao verão volto a caber nelas”. O problema é que, cada vez que as vês, sentes-te um bocadinho pior contigo própria. Roupa que te faz sentir um falhanço não está a fazer o seu trabalho. Pode ter custado muito, pode lembrar-te uma fase em que te sentias diferente no teu corpo, mas está a impedir-te de vestir o corpo que tens agora com gentileza.

O que os stylists querem mesmo que faças

Os stylists falam de “realidade do tamanho” em vez de “fantasia do tamanho”. Se algo não te serve confortavelmente hoje, não pertence ao teu guarda-roupa do dia a dia. Podes guardar uma ou duas peças realmente especiais, se tiveres de o fazer, mas a pilha de calças meia-numeração abaixo? Essas têm de sair. Quando as tiras, crias espaço para calças que te assentam bem agora - e esse pequeno gesto é surpreendentemente emocional.

2. Sapatos que tecnicamente servem, mas secretamente magoam

Há um par específico de saltos ou botas que guardas porque ficam incríveis em fotografias. Usas uma vez por ano, juras “nunca mais” e voltas a enfiá-los na caixa porque são “bons demais para deitar fora”. Os stylists são implacáveis com isto: se os sapatos te magoam os pés, não são bonitos - são apenas confusão cara. Nenhum conjunto vale a pena se acabas a coxear para casa à meia-noite, com o rímel borrado e os dedos dormentes.

Sejamos honestos: ninguém “amassa” de verdade aqueles sapatos dolorosos usando meias grossas em casa todos os dias. Dizemos que vamos fazer, depois esquecemos, e repetimos o mesmo ciclo no casamento seguinte. Um bom stylist vai pedir-te que andes de um lado para o outro com cada par e digas a verdade em voz alta: ao fim de dez minutos, isto sente-se mesmo bem? Se a resposta for não, vão para a pilha do “sai” - sem negociações emocionais.

A alegria silenciosa de só ter sapatos usáveis

Há uma calma especial em abrir o armário dos sapatos e saber que podias calçar qualquer par, neste exacto segundo, sem pensos para bolhas. Faz vestir numa manhã atarefada ser muito mais simples. Deixas de “calcular” dor nas tuas escolhas. Simplesmente escolhes o que gostas. É este tipo de guarda-roupa que os stylists querem para ti: honesto, confortável e, ainda assim, bonito.

3. As leggings pretas com borbotos a fingir que são calças

Algures entre o confinamento e o “voltar ao normal”, decidimos colectivamente que as leggings serviam para tudo: ginásio, trabalho, brunch, até encontros - se a luz fosse suficientemente fraca. Os stylists não têm nada contra leggings, mas traçam a linha naquelas finas, brilhantes e ligeiramente transparentes que estão a aguentar-se por um fio. Se o tecido cede nos joelhos e tens de usar uma camisola comprida para esconder a transparência, já não são roupa. São pijama em negação.

Estas leggings antigas ficam porque são familiares. Vestes para ir levar as crianças à escola ou dar um salto ao supermercado e dizes a ti própria que “mais tarde” investes num par melhor. Depois passam meses e tu continuas a puxar o cós e a esperar que ninguém repare no buraquinho na costura. Esse pequeno desconforto diário acumula-se, mesmo que aches que não te importa a tua aparência no corredor do supermercado.

Melhorar o básico muda o conjunto todo

Os stylists juram por isto: substitui apenas um básico demasiado usado por uma versão de melhor qualidade e o teu estilo do dia a dia sobe discretamente de nível. Um par de leggings grossas, opacas e bem cortadas - ou calças em malha ponte - custa menos do que pensas e faz com que tudo o resto (das camisolas velhas aos ténis gastos) pareça mais intencional. Ao livrares-te dos pares “mortos”, deixas de os usar como muleta preguiçosa. Não estás a apontar para “modelo do Instagram a uma terça-feira”, só para “eu sinto-me apresentável quando saio de casa”.

4. O blazer “bom para entrevistas” de que secretamente não gostas

A maioria de nós tem um blazer que vive num cabide empoeirado, à espera de grandes momentos: entrevistas de emprego, reuniões importantes, talvez um funeral ocasional. Normalmente é um bocadinho apertado nos ombros, não tem forro, ou é um cinzento estranho que te apaga. Não gostas dele - apenas te sentes uma “adulta responsável” quando o vestes. Os stylists vêem esta peça e fazem uma careta, porque roupa para dias de stress elevado devia ajudar-te, não acrescentar uma camada de ansiedade de fantasia.

Pensa na última vez que usaste esse blazer. Estavas a mexer nas mangas, a puxá-lo para fechar por cima de uma camisola que não combinava bem, a perguntar-te se te fazia parecer antiquada? Esse pequeno desalinhamento aparece na tua linguagem corporal. As pessoas não vêem “profissional”; vêem “desconfortável”. A regra de um stylist é simples: tudo o que vestes em momentos importantes da vida deve ser algo que gostas genuinamente de usar.

Encontra a tua verdadeira camada de poder

Em vez de guardares esse blazer triste, os stylists sugerem uma peça estruturada que pareça tua. Pode ser um blazer oversized macio numa cor de que gostas, um cardigan impecável, ou até um casaco de ganga se o teu mundo for mais criativo do que corporativo. A ideia é: a tua roupa “a sério” deve continuar a ser a tua roupa. Assim, quando chegar a próxima entrevista ou apresentação de nervos, não estás a lutar contra o conjunto e contra os nervos ao mesmo tempo.

5. Tops pretos desbotados que ficaram num tom castanho suspeito

O preto supostamente é chique, fácil, infinitamente usável. Mas, depois de um certo número de lavagens, fica naquele tom cansado, entre carvão e castanho, que faz tudo parecer um pouco… sem vida. Os stylists detectam uma T-shirt preta gasta a quilómetros e dizem que ela puxa o resto do conjunto para baixo. Podes achar que estás “só a ir às compras”, mas esses pretos tristes fazem-te sentir tão desbotada quanto eles parecem.

Estas peças ficam porque o preto é uma rede de segurança. Dizes a ti própria que ainda servem por baixo de uma camisola ou casaco, então para quê substituir? Entretanto, estão a baixar silenciosamente a fasquia do teu guarda-roupa inteiro. Uma stylist descreveu-as como “ruído de fundo” - sempre lá, nunca bem, e estranhamente cansativas ao longo do tempo.

Um pequeno e implacável teste de cor

Puxa todas as peças pretas que tens para a luz do dia e olha para elas em conjunto. As que ainda parecem pretas, profundas e ricas podem ficar. As que ficaram baças e turvas precisam de sair do teu guarda-roupa principal. Não tens de substituir tudo de uma vez, mas permite-te comprar um ou dois básicos pretos de boa qualidade que realmente se mantenham pretos. É uma melhoria pequena que te faz parecer instantaneamente mais apurada, mesmo com jeans e ténis.

6. A pilha de peças “um dia arranjo isto”

No fundo de muitos roupeiros vive uma montanha silenciosa de boas intenções: calças que só precisam de um botão, um vestido com o fecho preso, uma camisa com um pontinho descosido na bainha. Guardas porque deitar fora parece desperdício. Os stylists compreendem perfeitamente - mas também conhecem uma verdade dura: se não arranjaste em seis meses, provavelmente nunca vais arranjar. A pilha torna-se culpa visual, em vez de futuros conjuntos.

Sempre que vês aquele vestido com a alça partida, sentes uma picadinha - “tenho mesmo de tratar disto”. Depois não tratas. A peça ocupa espaço, mental e físico, e impede-te activamente de te focares na roupa que está pronta a usar. É como deixar projectos de bricolage a meio pela casa; incomodam-te silenciosamente cada vez que passas.

Dá-te um prazo e depois deixa ir

Os stylists recomendam uma janela de reparações de uma semana. Mete todas as peças “só precisa de conserto” num saco. Se não tens vontade de as levar à costureira ou de passar uma noite com agulha e linha nesse período, aceita que não vais fazê-lo. Doa o que ainda pode ser aproveitado, recicla o que estiver realmente estragado e desfruta do alívio de deixares de ser assombrada por roupa meio partida. Libertarás espaço nos cabides e na cabeça.

7. A peça de tendência que compraste para o Instagram, não para a vida

Lembras-te daquele vestido/top/casaco que compraste porque aparecia em todo o teu feed durante umas três semanas? Talvez fosse néon, talvez tivesse mangas gigantes, talvez ficasse incrível naquela influencer à porta de um prédio em Paris. Em ti é… ok. Usaste uma vez, fizeste a fotografia, e agora está ali, ligeiramente acusadora. Os stylists chamam-lhes “tendências de fantasia” - divertidas no momento, raramente valem armazenamento a longo prazo.

Estas peças são difíceis de largar porque estão ligadas a uma memória específica ou a uma versão de ti. A noite que soube a liberdade, a viagem em que gostaste das tuas fotos pela primeira vez. Deixar ir pode parecer admitir que essa versão de ti acabou. Mas e se vires de outra forma? Esse conjunto já cumpriu a sua função. Guardá-lo não traz o momento de volta. Só entope o varão.

Quando uma peça marcante deixa de dizer algo

Um stylist faz-te uma pergunta: se esta peça entrasse hoje no teu guarda-roupa, ainda ficarias entusiasmada para a usar? Se a resposta honesta for não, está na hora de ir para alguém que de facto a queira. Isso não significa que nunca devas comprar peças ousadas; significa apenas que elas devem funcionar para mais do que uma janela minúscula de tendência. O teu “eu” do futuro merece espaço para peças marcantes que encaixem na vida que estás realmente a viver, não na estética passageira do algoritmo do verão passado.

8. A roupa sentimental que adoras em teoria, não na prática

E depois há as emocionais. O vestido que usaste quando conheceste o teu companheiro. A T-shirt de uma banda de uma noite que pareceu que tudo podia mudar. O cardigan da tua avó que ainda cheira a perfume antigo sempre que abres a gaveta. Os stylists não são monstros; não te estão a pedir para deitar tudo isso fora. Mas vão perguntar com delicadeza: quanto espaço devem as memórias ocupar da pessoa que és agora?

Nem todas as peças sentimentais são preciosas ao ponto de ficar para sempre. Algumas apenas carregam uma energia ligeiramente desconfortável: vestidos de relações que acabaram mal, roupa de um trabalho onde esgotaste, conjuntos associados a um tamanho que lutaste para manter. Essas peças não são nostálgicas; são pesadas. Guardá-las pode prender-te discretamente, como uma exposição de museu que nunca pediste para curar.

Guarda a história, não todo o tecido

Os stylists sugerem muitas vezes escolher uma colecção pequena e editada de roupa sentimental e guardá-la separada do teu guarda-roupa principal. Uma ou duas peças que realmente importam, não um saco cheio de “até é giro de lembrar”. O resto pode ir - para caridade, para amigas, para reciclagem têxtil - e a memória continuará a ser tua. O teu guarda-roupa deve contar a história da tua vida agora, com espaço para quem te estás a tornar, não apenas para quem foste.

A verdadeira razão pela qual deixar ir parece tão grande

Arrumar um roupeiro parece prático visto de fora - pilhas em cima da cama, sacos pretos do lixo, pó no ar. Visto de perto, é trabalho emocional. Estás a decidir que versões de ti queres por perto todas as manhãs. Os stylists vêem lágrimas tantas vezes quantos cabides, porque roupa nunca é só tecido. É dinheiro, identidade, memória, fantasia - tudo numa porta de correr.

Não tens de esvaziar metade do teu roupeiro de um dia para o outro. Começa por uma destas oito categorias e vê o que muda. Talvez sejam as calças demasiado apertadas, talvez os saltos dolorosos, talvez apenas três T-shirts pretas desbotadas que finalmente admites que já deram o que tinham a dar. O que fica vai parecer mais leve porque o escolheste de propósito, não por defeito. E amanhã, quando abrires o roupeiro e inspirares fundo, talvez até sintas um pouco de entusiasmo outra vez.

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