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A regra de fotografia que faz qualquer foto de telemóvel parecer profissional (demora 2 segundos)

Pessoa a fotografar um café com latte art e um croissant numa mesa, com smartphone, num ambiente iluminado e agradável.

O teu miúdo está a rir, a luz é cor de mel, o café está a fumegar e, de alguma forma, a foto sai como uma fotografia tipo passe de um latte. Eu costumava culpar o telemóvel, ou as nuvens, ou a forma como a minha mão treme depois de demasiada cafeína. Depois, um desconhecido num mercado mostrou-me um truque de dois segundos - aquele tipo de regrinha que arruma qualquer foto como um clique mágico de cinto de segurança. Experimentei ali mesmo e o ecrã acordou - a mesma banca, os mesmos frascos, o mesmo ruído, mas o enquadramento passou, de repente, a parecer uma página de revista. Não comprei a compota. Comprei a ideia. E, assim que vês isto, não consegues deixar de ver.

O interruptor de dois segundos que muda tudo

Vamos começar pelo mais simples. Ligas uma sobreposição minúscula chamada grelha e colocas o que importa ao longo de uma dessas linhas em vez de bem no centro. Esta é a regra dos terços. Duas linhas verticais, duas horizontais, a dividir o ecrã em nove rectângulos certinhos. Parece aborrecido, tipo trabalhos de matemática, mas a mudança é instantânea. A tua foto deixa de gritar e começa a falar.

Aprendi isto com um copo de papel e uma poça. A janela do café segurava um reflexo fantasmagórico da rua, a t-shirt do barista era um choque de vermelho, e o vapor enrolava-se como um dragão silencioso. Deslizei o copo até tocar na linha da grelha do lado direito, deixei o topo da espuma roçar a linha de cima, e de repente o fundo passou a parecer um palco em vez de confusão. A poça tornou-se um espelho em vez de um erro, a apanhar uma lasca de céu. O meu polegar formigou como se eu tivesse encontrado uma mudança nova.

Como ligar a grelha (está escondida à vista)

Não precisas de uma app. O teu telemóvel já a tem, arrumada como se fosse tímida. O interruptor é pequeno o suficiente para passar despercebido, e é por isso que tantos de nós continuam a fotografar ao acaso. Dedica-lhe dez segundos uma vez, e nunca mais andas à procura.

  • iPhone: Definições > Câmara > activar “Grelha”. Na app Câmara, aparece logo.
  • Samsung Galaxy: Câmara > Definições (ícone da engrenagem) > “Linhas de grelha”. Activar.
  • Google Pixel: Câmara > Definições > “Tipo de grelha”. Escolher 3×3.
  • Maioria dos Android: Procura a engrenagem na app da câmara e depois “Grelha” ou “Linhas-guia”. Escolhe 3×3.

A partir daí, é um movimento minúsculo de cada vez que tiras uma foto. Encosta o sujeito a uma linha, ou a uma intersecção onde as linhas se cruzam. É só isto. É isto que dá o ar “profissional” em dois segundos e um empurrãozinho.

Porque é que os terços nos parecem certos

Na vida real, não ficamos a olhar para o centro das coisas. Os olhos vagueiam, percorrem contornos, saltam para rostos e depois para a luz lá ao fundo. A regra dos terços segue esse balanço natural, dando ao olhar pequenas pedras para atravessar o enquadramento. Um sujeito centrado pode parecer congelado; num terço, parece que tem para onde ir.

Não é místico. É equilíbrio. O espaço vazio passa a fazer parte da imagem - um campo calmo que deixa a coisa principal respirar. Essa respiração é o que a faz parecer uma fotografia e não um instantâneo. Ainda me surpreende como uma foto parece diferente com esse empurrãozinho.

Rostos, comida, horizontes: onde a regra faz o trabalho pesado

Retratos: olhos na linha de cima

Todos já tivemos aquele momento em que um retrato fica um bocado… foto da escola. Coloca os olhos na linha do terço superior e tudo se eleva. De repente há espaço para os ombros, para um cheirinho de horizonte atrás, para aquele caracol traquina de cabelo fazer sentido. A pessoa não fica esmagada. Fica colocada - como um pensamento que querias mesmo ter.

Com crianças, é magia. Agacha-te um pouco até à altura delas, põe os olhos na linha de cima e apanha o sorriso no instante em que rebenta. O mundo atrás vira uma história suave - luzes desfocadas, uma cauda de cão a meio abanar, o banco do parque que te esqueceste de pintar - e o teu sujeito segura tudo.

Comida e coisas pequenas: escolhe um canto, não o centro

As refeições ficam sem graça quando pousam como uma moeda no meio. Desliza a tigela para o terço da esquerda, inclina a colher ao longo da linha de baixo e deixa o veio da mesa correr na diagonal. O vapor encontra o espaço vazio. Quem vê quase consegue cheirar a canela, ouvir o arrastar de uma cadeira, sentir o calor a subir.

Com objectos - livros, sapatos, anéis - o truque da linha dos terços dá-lhes palco e direcção. Uma sapatilha inclinada ao longo da linha direita diz movimento. Uma chávena a tocar a linha de cima diz conforto. Um anel a pairar numa intersecção diz intenção.

Paisagens: escolhe um horizonte e assume-o

As paisagens adoram os terços mais do que tudo. Se o céu está dramático - aquelas nuvens que parecem um boletim meteorológico - baixa o horizonte para o terço inferior e dá ao céu o lugar principal. Se o chão está cheio de textura - fetos, calçada, ondulações - sobe o horizonte para o terço superior e deixa a terra falar. De uma forma ou de outra, a tensão desaparece. O enquadramento deixa de oscilar e quem vê sente-se firme.

As manhãs à beira-mar são o meu teste pessoal. As gaivotas guincham, o vento cheira a sal e a fritos, e a água corta em pequenos quadrados brilhantes. Nivela o horizonte com uma linha da grelha e o mar deixa de se derramar para fora da foto. Consegues ouvir a onda sem te molhares.

Deixa espaço e deixa a história respirar

A regra dos terços é, no fundo, uma regra de respeito. Pede-te que deixes espaço à volta do sujeito para o teu cérebro construir o resto. Quando enfias algo no meio, já respondeste à tua própria pergunta. Desliza para um terço e dás ao observador um momento para se interrogar - o que está fora do enquadramento, porque é que o cão está a olhar para a esquerda, quem acabou de contar a piada.

“Espaço negativo” soa sério, mas é só a parte calma. Uma parede vazia. Um pedaço de céu. O lado silencioso de uma rua. Põe o sujeito num terço e deixa esse pedaço calmo do lado oposto. A fotografia torna-se uma conversa entre os dois.

Usa a grelha também para linhas direitas

A grelha não serve só para posicionar. É um pequeno nível de bolha disfarçado. Alinha o horizonte com uma linha horizontal. Encosta um poste de luz a uma vertical. A inclinação que faz as fotos de telemóvel parecerem acidentais desaparece. O enquadramento parece fiável.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Não andas com um tripé para o brunch. Estás a tentar apanhar um momento antes de o cão fugir com o guardanapo. É por isso que a grelha compensa. Dois segundos para empurrar e endireitar. Dois segundos para passar de “acabou de tirar” para “foi de propósito”.

Quando começas a alinhar, reparas noutros presentes. As janelas viram molduras, as vedações viram linhas de condução, os passeios apontam como setas. O mundo começa a dar-te ferramentas de composição de graça. Tu só colocas o sujeito numa linha e deixas o resto fazer o trabalho.

Quando quebrar a regra de propósito

As regras são para servir de trampolim. Algumas cenas pedem simetria. Uma porta mesmo ao centro, com azulejos perfeitos de cada lado, pode parecer uma oração. Um rosto a encarar a lente a direito - nariz no alvo - pode ser confrontador da maneira certa. Isso não é um erro; é uma escolha.

O truque é conhecer a regra para que a quebra pareça ousada, não desajeitada. Experimenta os terços primeiro. Desliza o sujeito para uma linha, tira a foto, depois puxa-o para o meio e tira outra. Compara-as como se fossem duas músicas diferentes. O instinto diz-te qual é que fica a zumbir.

O método ver-e-andar

Gosto de transformar a regra dos terços num hábito de caminhada. Telemóvel ao lado do corpo, grelha já ligada. Quando algo te prende o olhar - a inclinação de um chapéu, a forma como a luz se acumula numa mesa - levanta, enquadra, dá um empurrãozinho, toca. Esse empurrão é o truque todo. Não pensas demasiado; deixas o polegar ser o editor.

Há um ligeiro teatro nisto. Dás três passos para a esquerda porque o poste quer alinhar. Agachas-te porque os olhos querem a linha de cima. Esperas meio compasso porque a mão na chávena está a mover-se para um sítio melhor. São movimentos pequenos, dois segundos cada, e juntos fazem uma fotografia que parece que te importaste.

Pequenos atalhos que combinam na perfeição com os terços

Não te vou enterrar em definições. Estás no mundo, não numa secretária. Ainda assim, dois ou três micro-movimentos fazem os terços cantar. Toca para focar no sujeito que colocaste na linha. Se o céu está a estourar, arrasta o dedo para baixo para baixar um pouco a exposição e os brancos não gritarem. Se estiveres num iPhone, mantém pressionado para bloquear o foco e a exposição por um segundo enquanto o teu sujeito se ri. É só isso - tempero mínimo numa boa receita.

Mais uma coisa, e parece parvo até experimentares: limpa a lente. O desfoque das impressões digitais é o ladrão da nitidez. Limpa na t-shirt como uma criança a roubar bolo. A grelha trata da composição; a lente limpa trata do brilho.

O que muda quando começas a ver em terços

As fotos tornam-se mais fáceis de tirar e mais difíceis de esquecer. A tua galeria deixa de ser um amontoado e passa a ser uma história. Olhas para trás para um dia e ele tem forma. A cena em que a tua amiga se inclina para uma gargalhada fica no terço da direita, com espaço para as palavras dela. A manhã em que o teu pai arranjou a prateleira fica no terço da esquerda, com a confusão de parafusos a dar-lhe uma espécie de auréola.

Experimentei a regra com a minha avó uma vez, numa terça-feira tranquila. Ela estava a descascar uma laranja à mesa da cozinha, com o rádio a chiar baixinho. Coloquei-a na linha da esquerda, alinhei os olhos pela linha de cima e deixei a luz da janela ocupar o lado direito como uma cortina. Quando lhe mostrei, ela tocou no ecrã e disse: “Oh, sou eu.” E era - mais do que noutras fotos. O espaço vazio guardava a história dela.

O hábito de dois segundos que vais levar para sempre

Aqui vai o ritmo a que volto sempre. Não precisas de um telemóvel melhor. Não precisas de um curso, nem de um pack de filtros, nem de uma viagem a uma cascata. Precisas de uma grelhazinha e um empurrãozinho. Põe o sujeito num terço, endireita o que precisar de ficar direito e deixa o espaço vazio falar um bocado. Liga a grelha uma vez e vê as tuas fotos começarem a respirar.

O resto é brincadeira. Experimenta um retrato com os olhos na linha de cima. Experimenta um canto de cidade com um ciclista a deslizar ao longo da margem direita. Experimenta um nascer do sol com o horizonte bem baixo e o céu autorizado a gritar. Olhos no terço superior, horizonte num terço, sujeito de lado - é esse o bolso que procuras. A regra não é uma gaiola; é um ritmo. Quando o apanhas, sentes-no no polegar.

Da próxima vez que o teu café chegar a brilhar ou o teu miúdo fizer aquele sorriso de lado, levanta o telemóvel e desliza-o para uma linha. Ouve o barulho do café, cheira a torrada, sente o calor na palma da mão. Toca. Se fizer clique, vais saber. E se alguém perguntar como é que fizeste parecer tão profissional, podes sorrir e dizer a verdade: dois segundos e um empurrãozinho. Moveste o momento para onde ele queria viver.

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