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Ter., Ago.
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Joan Escoté, CSR Manager da Epson para Espanha e Portugal.

Entrevistas

A empresa de tecnologia Epson, através da sua filial em Portugal, participou na ação de reflorestação do Pinhal de Leiria, que perdeu 80% da área plantada de árvores depois dos incêndios de 2017. Em conjunto com os colaboradores, parceiros e clientes, a Epson Portugal foi responsável pela plantação de 1250 árvores. O Notícias da Floresta entrevistou, na ocasião, Joan Escoté, CSR Manager da Epson para Espanha e Portugal.

Por que motivo decidiram apoiar a ação do Pinhal de Leiria, em particular?

A nossa intenção é colaborar com a reflorestação do Pinhal de Leiria, especialmente numa altura em que Lisboa é nomeada a Capital Verde da Europa. Além de plantar e contribuir para a reflorestação da zona, também temos a obrigação de consciencializar o público.

Os objetivos do nosso desenvolvimento sustentável dizem que todos temos a obrigação de dar a conhecer as atividades relacionadas com a sustentabilidade e incentivá-las. É por isso que escolhemos este momento.

Além disso, a reflorestação tem de acontecer na época das chuvas, para que as árvores tenham uma maior probabilidade de se desenvolver.

 

IMG 8389A Epson mobilizou várias pessoas para a ação de reflorestação

Que outras atividades desenvolvem na área da sustentabilidade?

Estamos a colaborar com a Impact Hub, que ajuda novas empresas que têm uma atividade em termos sociais ou ambientais. Já colaboramos com eles há alguns anos e, cerca de uma ou duas vezes por ano, desenvolvem-se ações variadas. Por exemplo, há uma organização que faz fotografia para pessoas carenciadas e nós ajudamos sempre com a impressão das fotos, com a organização, papel e tintas.

Neste momento estamos a desenvolver um projeto relacionado com Realidade Aumentada, com os nossos óculos Moverio. Mas, seja qual for a iniciativa em que colaboramos, tem de ter um objetivo de responsabilidade social ou ambiental.

Há cada vez mais empresas a comunicar ações relacionadas com sustentabilidade. Tornou-se um novo padrão?

Não há alternativa à sustentabilidade. A Epson faz máquinas e a nossa primeira obrigação é que sejam o mais sustentáveis. Além da produção das máquinas, como empresa temos de ter um comportamento sustentável. As empresas que não o têm devem desaparecer, porque a sustentabilidade é uma exigência e uma necessidade.

As empresas têm de fazer esse esforço e, do lado do consumidor, como somos todos, também temos de escolher empresas que sejam sustentáveis. É um trabalho de todos: das administrações e dos consumidores.

IMG 8327Nesse dia foram plantadas 1250 árvores, com o apoio da Quercus e da Impact Hub.

O que falta para que o consumidor perceba essa necessidade?

É muito importante ter atenção aos processos de produção. É fácil participar em ações deste género e depois nas fábricas, onde ninguém vê nada, ter um comportamento não sustentável.

Existem certificações e auditorias para mostrar externamente que as empresas têm cuidado no processo de produção e de logística. Na Epson, nós investimos muito em empresas externas para que verifiquem o cumprir das nossas responsabilidades em todo o mundo. Nós temos certificações da Responsible Business Alliance, da Global Compact, da EcoVadis, e outras, para sermos auditados por tudo isto.

O consumidor tem de poder verificar a veracidade das nossas alegações.

O que ainda pode ser feito para melhorar isso?

Acho que as associações de defesa do consumidor também têm trabalho a fazer. Por exemplo, se eu quero comprar uma máquina de lavar loiça e não percebo nada do assunto, vejo os testes e as tabelas com comparativos.

Nessas tabelas falta uma coluna para analisar a responsabilidade social do fabricante. É um trabalho de filtro, em que as associações dos consumidores devem verificar as atuações dos fabricantes. Não interessa apenas saber se o produto consome pouco ou tem componentes reciclados. Interessa perceber a atuação da empresa em diversos campos como o ambiental ou a igualdade de género, por exemplo.

Há algumas iniciativas que já seguem esta linha, mas há que trabalhar mais nisto. É um trabalho das associações, dos jornalistas, dos consumidores e também das administrações das empresas. Se uma empresa faz um bom trabalho, tem de poder comunicar e ser escolhida por esse bom trabalho.