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Qua., Dez.
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Entrevistas

José Pamplona, Escoteiro Chefe Nacional Adjunto da Associação dos Escoteiros de Portugal e Comissário Internacional do Movimento em Portugal, falou com o Notícias da Floresta sobre a importância da floresta para o desenvolvimento dos mais jovens.

Como caracteriza a atividade do Escotismo em Portugal e a sua evolução nas últimas décadas?

 O Escotismo é um Movimento para Jovens que ao longo dos seus mais de cem anos se adapta às exigências e interesses das várias gerações. Atualmente fazemos parte do maior Movimento juvenil do mundo, que soma hoje mais de cinquenta milhões de Escoteiros por todo o mundo. A nível nacional, os Escoteiros de Portugal trilham um caminho onde os Jovens são agentes de mudança, através da sua participação ativa na sociedade.


Numa época em que há muito mais receio de dar autonomia às crianças e adolescentes, como atraem os filhos e os pais para a atividade?

 

O Escotismo apresenta um programa que dá resposta às atuais preocupações dos encarregados de educação, sendo um espaço seguro para aquisição de novas ferramentas de desenvolvimento pessoal e onde errar faz parte do processo de aprendizagem. Consequentemente, o Escotismo traduz-se numa proposta de valor acrescentado para os jovens portugueses.

Pode fazer um breve sumário das principais atividades e o seu impacto na comunidade?

 

As nossas atividades assumem inúmeros formatos, retratando-se na sua maioria num forte envolvimento com a comunidade onde está inserido o Grupo de Escoteiros local, seja através do apoio a causas de âmbito social ou ambiental.


De que forma estão envolvidos em atividades relacionadas com a floresta?

 

A floresta é um espaço de excelência para a prática do Escotismo. Há mais de cem anos que a natureza é parte integrante do Movimento e um local onde podemos desenvolver qualquer atividade. Hoje, mais relevante se torna o seu papel, pois é através destes espaços que conseguimos garantir um programa mais rico e atrativo no contexto de pandemia que atravessamos.

Um dos pressupostos mais importantes da oferta educativa da AEP é o contacto com a natureza. O contexto de floresta e natureza é um ambiente que privilegiamos nas nossas atividades, por ser um excelente meio de aprendizagem e onde é possível colocar em prática um dos alicerces do nosso método de educação não formal: o "aprender fazendo".

Nas florestas, os Jovens têm oportunidade de desenvolver um conjunto de atividades que contribuem para o seu desenvolvimento pessoal, como por exemplo ao nível da sua autonomia, da capacidade de adaptação a situações inesperadas e para que possam desenvolver um sentimento de pertença, reforçando o respeito pelo ambiente que os Escoteiros promovem na sua atividade.


Qual o impacto para os mais jovens, em termos de desenvolvimento e integração?

Os Escoteiros de Portugal têm como missão educar os Jovens para desempenharem um papel ativo na sociedade. Essa ação educativa é realizada através de um método único de educação não formal, assente num sistema de valores, que visa ajudar a construir um mundo melhor onde as pessoas se sintam realizadas como indivíduos e desempenhem um papel construtivo na sociedade, assente numa cidadania participativa, responsável e tolerante e no respeito pelo ambiente.

O método escotista está inteiramente pensado para possibilitar um desenvolvimento progressivo através de um conjunto de desafios que trabalham as esferas intelectual, afetiva, social, física e espiritual, com objetivos e metas concretas e adaptadas a cada faixa etária. Estes desafios contribuem para desenvolver capacidades únicas de liderança, cooperação, entreajuda, respeito pelo próximo, autonomia, resolução de problemas, entre tantas outras soft skills que tornam os jovens mais capazes de responder aos desafios da sociedade e do futuro.


A ligação de muitos grupos de Escotismo à Igreja Católica afasta algumas famílias da prática do Escotismo. Sentem essa realidade? 

 

Enquanto associação laica, a Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP) assume uma posição dissociada da Igreja Católica. Através do nosso programa, abordamos a espiritualidade e outras crenças de forma personalizada e à medida de cada Jovem e das suas necessidades.

Acreditamos e defendemos que a prática do Escotismo deverá estar disponível para todos, independentemente da fé ou crença de cada um. Nesse sentido, continuamos a proporcionar um “Escotismo para Todos” aos jovens portugueses.


Que conselhos deixa aos pais e educadores do século XXI?

 

Deve existir uma crescente aposta em programas educativos com base na educação não formal e o reconhecimento desta ferramenta enquanto complemento da educação formal. Ao longo da história do Escotismo, coeducamos e formamos personalidades que marcaram o mundo com as suas conquistas. A título de exemplo, recordamos que onze dos doze astronautas que pisaram a lua eram Escoteiros!