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Sex., Jun.
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Reportagens

Decorreu ontem, em Paris, a One Planet Summit, pela biodiversidade, para angariar a atenção da comunidade internacional para a proteção da natureza, enquanto se procuram respostas para as novas questões levantadas pela crise.

Numa organização conjunta de França com as Nações Unidas e o Banco Mundial, os intervenientes pretendem construir uma mobilização política para a ação na preservação do planeta. O evento reuniu chefes de Estado e de governo, bem como líderes de organizações internacionais, instituições financeiras, setor empresarial e ONG, todos prontos para assumir compromissos para ações concretas para preservar e restaurar a biodiversidade, fazer novos anúncios fortes e lançar iniciativas transformacionais para a natureza.

Ursula von der Leyen, presidente da União Europeia, fez uma intervenção: “Falámos muito sobre as ligações entre a perda de biodiversidade e o COVID. Mas este não é o primeiro, último ou mesmo o exemplo mais revelador. Pensem em como um dos surtos mais mortíferos do Ébola terá começado: com um rapaz a brincar ao lado de uma árvore numa aldeia remota na Guiné. Uma árvore que tinha sido infestada por morcegos que tinham sido empurrados para a aldeia porque 80% das florestas da região tinham sido destruídas. Sabemos as trágicas repercussões que isto teve.

E se não agirmos urgentemente para proteger a nossa natureza, podemos já estar no início de uma era de pandemias. Mas podemos fazer. É necessária uma ação global concertada e um desenvolvimento sustentável local.

E assim como cooperamos para o nosso "One Planet", precisamos de trabalhar juntos para o nosso "One Health". É por isso que daremos prioridade à investigação sobre a "One Health" em toda a Europa. E deixem-me ser clara: vamos investir várias centenas de milhões de euros nos próximos quatro anos para a investigação: sobre biodiversidade, saúde animal, doenças emergentes e muito mais”.

One Planet Summit2

Foram escolhidos quatro temas fundamentais para a preservação da vida. A proteção dos ecossistemas terrestres e marinhos é um pilar essencial de ação a favor da biodiversidade. As áreas protegidas e a conservação das espécies que aí vivem desempenham um papel fundamental na proteção e restauro da biodiversidade e serão determinantes para alcançar uma inversão da tendência atual.

A promoção da agroecologia permite proteger a diversidade dos ecossistemas, reduzindo a poluição, permitindo uma maior criação de emprego e atuando em razão da segurança alimentar. A cimeira abordou a aceleração da implementação da Grande Muralha Verde para o Saara e para o Sahel.

A mobilização do financiamento para a biodiversidade está comprometida, nomeadamente com novos compromissos de financiamento e iniciativas para direcionar mais investimento público e privado para projetos de proteção, gestão sustentável e restauro de ecossistemas ou a necessária convergência do financiamento público para o clima e a biodiversidade. 

Por último, a ligação entre a desflorestação, as espécies e a saúde humana está no centro das atenções. A cimeira visou trabalhar melhor em conjunto para evitar futuras pandemias, através da luta contra a desflorestação e da prevenção dos riscos relacionados com o nosso contacto com espécies selvagens.