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Seg., Jun.
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© Carrapato / ICNF

Biodiversidade

Foi assinado um acordo entre diversas instituições para a proteção da Águia-caçadeira, que está em vias de extinção em Portugal. O protocolo Searas com Biodiversidade: Salvemos a Águia-caçadeira contempla diversas ações para apoiar e promover a conservação da espécie e identificar medidas para salvaguardá-la.

As ações de salvamento e resgate enquadram-se numa iniciativa alargada de âmbito nacional, envolvendo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, o Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e organizações ambientais como a Liga para a Proteção da Natureza e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.

A Águia-caçadeira, também conhecida como tartaranhão-caçador, não constrói ninhos nas árvores, ao contrário de muitas outras aves de rapina, mas sim no solo, o que a torna mais suscetível à atividade agrícola. 

O projeto prevê a realização de um censo nacional para identificar o número de casais reprodutores e estão planeadas ações de prospeção de colónias e ninhos, que incluem o apoio no resgate de ovos que estejam em parcelas em risco de serem ceifadas, assim como ações de proteção. 

Está prevista a realização de um estudo para compreender a importância das searas para a biodiversidade de aves, coordenado pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) e pela Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural.

As águias-caçadeiras estão em Portugal de meados de março a setembro, migrando depois para África.  A sua distribuição é maior nas planícies alentejanas e no planalto mirandês, frequentando terrenos abertos com poucas árvores e áreas com culturas de cereais.

A iniciativa, assinada no Dia do Agricultor, que se celebrou ontem, 17 de maio, partiu do Clube de Produtores Continente, da Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC), do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO/BIOPOLIS), da Universidade do Porto e da Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural.

Com o projeto Searas com Biodiversidade: Salvemos a Águia-caçadeira, o Clube de Produtores Continente, a ANPOC, o CIBIO/BIOPOLIS e a Palombar pretendem inverter a extinção desta espécie e trabalhar em conjunto para promover um sistema alimentar amigo do ambiente.

Graças a esta parceria, as sete toneladas de farinha de trigo utilizadas nas padarias das lojas Continente têm origem em searas das regiões do Alentejo e de Trás-os-Montes, que são monitorizadas de forma a proteger a biodiversidade e a conservação da ave.