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Qua., Ago.
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Biodiversidade

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) anunciou a libertação de 21 exemplares juvenis de tartaranhão-caçador, em Castro Verde, no âmbito do Plano de Emergência para a Recuperação do Tartaranhão-caçador (Circus pygargus).

Esta é uma espécie migradora, que nidifica em Portugal, sendo a região do Alentejo uma das mais importantes para a sua reprodução. O plano de emergência teve início no mês de março com a prospeção e localização de colónias e ninhos em áreas de produção de feno por parte do CIBIO/BIOPOLIS. A data de corte desta cultura forrageira coincide com a nidificação da Águia-caçadeira, pondo em risco ovos, crias e por vezes adultos também.

LPN desempenhou um papel importante no contacto com os proprietários e acompanhamentos dos trabalhos de corte de fenos em áreas reprodutoras da espécie e o ICNF terá coordenado as ações de resgate de ovos. Os ovos recolhidos foram encaminhados para um centro de criação (Gonçalo George Unipessoal, Lda.) onde foram incubados em instalações especializadas para o efeito.

Em 2011, na Zona de Proteção Especial de Castro Verde, foi estimada a presença de 214 casais reprodutores. Em 2021, na mesma área, foi registada a presença de apenas 50 casais, o que significa que houve um decréscimo do número de casais em Portugal de aproximadamente 75% nos últimos 10 anos. Tal pode dever-se à alteração das culturas e práticas agrícolas e pecuárias e à maior frequência de secas.

O objetivo do plano de emergência é evitar a extinção da espécie em Portugal, com um esforço em que foi necessário efetuar a incubação ex-situ (fora do meio natural) dos ovos para assegurar a sua sobrevivência e aumentar o número de juvenis que ingressam na população em meio selvagem.

Os ovos foram alvo duma monitorização constante, para que a incubação se realizasse com o adequado nível de temperatura e humidade e se maximizasse o sucesso da eclosão. Após o nascimento, no mesmo centro, iniciou-se o processo de alimentação das crias que se realizou em ciclos de quatro a cinco refeições diárias em ambiente climatizado até poderem ser transferidos para as instalações de aclimatação ao habitat natural (“hacking”).

As instalações foram construídas especificamente para este fim em meio natural, na Herdade do Vale Gonçalinho, propriedade da LPN no concelho de Castro Verde.

As primeiras crias foram transferidas para este local em junho, com aproximadamente 30 dias, para que fossem sendo preparadas para a sua devolução à natureza, o que aconteceu a 19 de julho.

O Plano de Emergência para a Recuperação do Tartaranhão-caçador, coordenado pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), resulta de colaboração de um conjunto alargado de entidades, nomeadamente: os agricultores, LPN – Liga Para a Proteção da Natureza e ainda com o projeto “Searas com Biodiversidade: Salvemos a Águia Caçadeira” que inclui a CIBIO/BIOPOLIS - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, o Clube de Produtores Continente, a ANPOC – Associação Nacional de Protutores de Cereais, a Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural, a Sociedade para os Estudo das Aves (SPEA) e pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO).

Foi ainda necessário o envolvimento de outras entidades, como: a Câmara Municipal de Castro Verde, a Junta de Extremadura – Espanha, a Altice Portugal, as Infraestruturas de Portugal, a Estrutura Local de Apoio de Castro Verde, a Associação de Agricultores do Campo Branco, o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), a Fundação Champalimaud, o Instituto Nacional Ricardo Jorge, a AMUS, o Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (CRAS/HV/UTAD), o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa (LXCRAS), o Centro de Recuperação de Animais Selvagens de St. André (CRASSA), a Birds & Nature, a Gonçalo George Unipessoal, Lda., Tiago Velez, Lar Jacinto Faleiro e a Lúcia Lima Nature.

O ICNF agradeceu ainda ao Sr. Manuel (arrendatário de Vale Gonçalinho) e a todas as pessoas envolvidas diretamente neste complexo processo.