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Sex., Jan.
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© Lina Ortega

Biodiversidade

 A COP15, que terá lugar em dezembro, na cidade de Montreal, tem como principal objetivo a adoção de uma Estratégia Global para a Biodiversidade Pós-2020, para travar a perda global de biodiversidade até 2030 e promover a recuperação dos ecossistemas naturais. A propósito, o BCSD Portugal e mais de 60 empresas associadas, juntam-se num manifesto e pedem que seja um momento de viragem para o reconhecimento da importância da natureza para a economia mundial.

Hoje, metade da economia mundial depende de capital natural, como matérias-primas, mas a delapidação dos ecossistemas e a perda de biodiversidade encontram-se atualmente no topo dos riscos ambientais globais, a par das alterações climáticas.

No manifesto apresentado pelo BCSD Portugal, as empresas são chamadas a contribuir para a consciencialização coletiva sobre a importância da biodiversidade, partilhando as boas práticas e a construindo parcerias positivas.

Paralelamente, devem estabelecer planos de ação com metas claras, ambiciosas e alinhadas com a ciência de valorização da biodiversidade e do capital natural, bem como adotar sistemas de reporte de riscos e impactes, procurando que os seus modelos de negócios sejam regenerativos, isto é, tenham um impacte positivo na biosfera.

Aos poderes público, nomeadamente aos governos, o BCSD Portugal pede incentivos e reconhecimento para as empresas que melhor cumpram e medidas eficazes que assegurem a proteção da biodiversidade e dos ecossistemas, e o restauro e valorização do capital natural.

Como sublinha o manifesto, “o desafio do combate às alterações climáticas depende também e em larga escala do contributo da natureza. Sem os ecossistemas e a biodiversidade que compõem a biosfera não haveria vida humana no planeta Terra”.

Um mês depois dos seus membros lançarem o manifesto “Rumo à COP27”, a mobilizar para a ação climática, o BCSD Portugal lança agora um novo manifesto, no qual defende que “urge reverter a perda de biodiversidade global e transitar, através da inovação, para um paradigma de economia regenerativa ou ‘nature positive’. A valorização do capital natural tem de ser uma dimensão chave dos negócios, dos sistemas económicos e do nosso modelo de desenvolvimento.”

João Meneses, secretário-geral do BCSD Portugal, quer que na COP15 da Biodiversidade, que decorre em dezembro em Montreal, no Canadá, “seja decidido um reforço dos incentivos à

transição para um novo paradigma de bioeconomia circular e de baixo carbono, assente em matérias-primas preferencialmente de origem biológica, renováveis e com níveis de desperdício próximos de zero”.

Ao nível das empresas, o secretário-geral do BCSD Portugal, considera “fundamental que seja garantido a monitorização e divulgação das dependências e impactes nas cadeias de valor sobre o capital natural, permitindo aos seus clientes e investidores tomar decisões de consumo e investimento mais informadas”.

O último relatório do Painel Intergovernamental para a Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) sobre o uso sustentável de espécies selvagens e os diversos serviços de natureza concluiu que a situação é critica para cerca de 50 mil espécies de flora e fauna usadas para dar resposta a necessidades humanas, como a alimentação e a saúde.